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quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Homenagem peniana

Caro amigo,Já passámos muito juntos… O estranho primeiro encontro foi marcado por acções de descoberta mútua, o toque inicial não escapa a um reviver constante daquela sensação de pertença, saber que fazes parte de mim e que me compreendes como ninguém, preenche um espaço que a maior parte das pessoas tem por vazio.As aventuras foram mais que muitas e agora que nos unimos em prol da segurança emocional que tanto buscámos e que, finalmente, nos foi apresentada num gesto de bondade divina, a sua criação não desmerece o título, muito pelo contrário, justifica-o. A ti, de quem falo e a quem amo, a minha profunda admiração. As saudades de um passado tumultuoso, repleto de histórias partilhadas pela irresponsabilidade, pelo gosto de viver, de sentir tudo ao mesmo tempo como quem vive num fôlego só, não o são. Antes andávamos sempre unidos pela mão, na rua fazias questão de te mostrar, mesmo nas ocasiões menos próprias, bastava uma pequena distracção e tu ficavas logo ali, atento como cão de fila à espera de um deslize, mordeste algumas vezes e tiveste a sorte de seres bem ensinado para, hoje em dia, manteres essa postura firme que tanto gostamos. É certo que tivemos os nossos devaneios, em alturas de maior afluxo sanguíneo a prevenção ficava aquém do desejado, pela sorte e destino foste protegido. És um verdadeiro amigo, espero poder contar contigo para o resto da vida, que parece estar sempre no auge, também graças a ti fui descoberto e descobri o amor, mantenho a paixão de viver como na primeira vez muitas vezes. Esta é a tua homenagem, obrigado…

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Dias.

Desenho-me pelas palavras que não encontro, escondidas sob um manto de inércia. Observo a mão que descansa no papel, a caneta entrelaçada nos dedos desafia a mente…os movimentos surgem vagarosamente despejando ideias num chorrilho emaranhado de frases que, sem significado ao outro, projectam a imagem holográfica de um reflexo que não me pertence ou quem não gosto de ser.Acordo com uma sensação de agrado… estou vivo. A custo os braços levantam o calor do corpo e obrigam as pernas a mexer, puxam um trabalhar obrigado e arrastado para o inicio do dia…Funciono numa pequena parte de mim, mas funciono. Pelo sorriso e alegria em respirar-te, reconheço o bom de te ser amado. Mergulho em nós e encontro-me nas lembranças revividas, és presente como nunca e para sempre…Esqueço a necessidade de escrever fugido da realidade, esta que agora te amo, porque tudo apenas existe, percebes? Estou certo que somos e seremos além das fronteiras impostas pelo biologicamente aceite. A magia que irradias, tu que te inspiras em nós…alimentam-te os momentos apaixonados, olhares, gestos, beijos trocados, cumplicidades de quem te tem, revelas-te totalmente apenas numa palavra que, como sinónimo, te preenche… Amor felicidade

domingo, 26 de dezembro de 2010

Palhaçada

Sentado em frente ao computador penso num personagem... não me preocupa o vestuário, pois a indumentária já está definida há algum tempo, mas o preenchimento que irei dar a tal figura, a melhor forma de conjugar o fato com a mensagem que pretendo transmitir… O palhaço poderá ter muitas vertentes, a dificuldade está na forma que melhor servirá o meu objectivo. Jamais cederia à tentação de fazer algo corriqueiro, a palhaçada só tem piada quando descontextualizada, situações naturalmente hilariantes não me seduzem.A dicotomia fantasia/realidade ou palhaço/homem parece mais interessante do ponto de vista menos explorado, vou vestir a personagem por inteiro e transformar o Filipe no palhaço ou vice-versa.Começo por vestir umas calças enormes e uma cabeleira extremamente colorida, à falta de sapatos e nariz próprios do imitado, fico com os que recebi naturalmente e que são já de si bastante generosos (calço o 43 e o nariz condiz com a personalidade).Sou palhaço. És um palhaço. Somos palhaços.Ao longo desta minha, ainda curta, caminhada senti a existência de várias dimensões que escapam ao comum dos mortais. Facilmente acessível, porque todos temos a capacidade de reflectir sobre o que observamos e sentimos, passa ao lado dos que se deixam corromper pela responsabilidade, mais grave, pelo comodismo.O palhaço insere-se nesta trama enquanto mascara, mais uma das imensas que usamos no nosso universo de relações. O nosso verdadeiro existir, a essência do ‘eu’ que receamos e que desconhecemos, fica camuflada no platonismo dos nossos objectivos, somos apenas humanos… Os sonhos são esmagados pela rotina do transito matinal, deixamos de acreditar em fadas e o João-pestana hiberna na indiferença. Quem não se recorda da felicidade enquanto criança.Sorrimos, sorris, sorrio. 

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Eu

Sou um adulto meio crescido. Serei meio adulto? Uma criança grande? Acho que estou a viver uma adolescência tardia, tão tardia que demora… Ameaça mesmo perdurar para o resto da minha vida. Confesso que é um plano de longa data, descobri o segredo da eterna juventude (rói-te de inveja Godinho), esta sensação permanente de boa disposição, com sorriso a tira colo…
A responsabilidade assalta-me como uma necessidade mas com prioridades bem definidas, encaro a realidade com um crivo muito selectivo, aprendi, a custo, a deixar o cinzentismo sisudo dos super-valorizados problemas, a maior parte das vezes dos outros, nas telas dos impressionáveis. Sou um céu livre, completamente azul, ao fundo -podes ver- o Sol lança raios de felicidade que tornam a vida tão simples… Ouço, em coro, as vozes dos eucaliptos que cantam ao vento… Quem me dera poder traduzir o que dizem, queria a magia de perceber tudo e todos, imagino uma dança gigantesca de sons, histórias e letras de outros tempos que foram outrora agora e que relembram, ao tempo, o ciclo da vida. Acredito que sou para sempre, jamais perderei a minha existência por mero capricho do que tem de ser, nunca tenho de ser…
Olho para a existência como ela merece… o brilho das estrelas numa noite sem luz artificial, a beleza da Lua cheia num Universo morto, o calor e o crepitar de uma fogueira de Inverno, o cheiro a terra numa chuvada de verão e as gotas frias de pequenas partes do céu que me acordam o corpo num arrepiante grito de vontade…sinto tudo porque me acordaste…

domingo, 19 de dezembro de 2010

Tudo o que faço é sentir.

Bate forte, quase salta do peito a vontade de explodir numa declaração tão clara e inequívoca que se espalha pelo Universo como um vento mágico… Anuncio ao mundo o sentimento de liberdade total do meu coração domado, sou apaixonado.
            Amo porque aconteceu, assim como quem jamais procurou pela felicidade, da escuridão surge o caminho, só meu, a grandiosidade não se pode limitar ao egoísmo de um amar de sentido único. Sim aos impulsos que nos fazem lançar um no outro porque vivemos o agora para o depois, somos dois na certeza de apenas um.
            Percorro o cabelo, sinto o teu sentir, passo a mão no rosto que já faz parte de mim num encaixe tão perfeito que deixa ler segredos… Passam a ser nossos os momentos de recordar felicidade, a cada beijo, sempre doce, molhado, suave realiza o sonho. Troca de olhares envergonhados, toque leve, húmido, palavras timidamente atrevidas, menos longe…perto…juntos não podemos fugir à união marcada no tempo, a história conta-se agora.

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Para sempre

Sinto que ambos esperávamos, receosos...Sei o que quero e dizê-lo torna-se tão difícil, porquê? Estes dogmas que nos perseguem e impedem o coração de gritar bem alto a certeza que nos invade. Olhar nos teus olhos confirma a vontade mutua de explodir numa única palavra que 'per si' engloba tudo o que estamos a viver. Amar-te é respirar todos os dias uma vontade nova, sorrir sem razão aparente, andar pelas nuvens como quem se alimenta de sonhos...Tocar-te desperta-me todos os sentidos...percorre-me o corpo um arrepio como quem acabas de me acariciar a nuca com um beijo revelador de intenções. Encaixamos tão bem que temos consciência do ruir de todas as crises de existencialismo, finalmente sei que sou porque tu existes...

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Agora nós.

Canto a alegria do renascer não anunciado...como o cheirar do perfume de uma rosa vermelha regada pelo amanhecer verde da Primavera. Lavar a alma com as lagrimas que percorrem o rosto e que acabam num belo, radiante e sentido sorriso. As cores dançam com os cheiros e os sabores num desalinhar, estranhamente, organizado...Tremer...Sentir...AMAR.
Traduzir a imensidão que me invadiste, abraçar-te, gostar-te, doer-te...na despedida, por um mero instante, senti a tua perda como um golpe profundo que jamais quero ver desferido. Sou para ti e porque nós existimos...
Beijo escondido, troca de olhares e mimos apenas compreendido a dois, partimos para um Mundo só nosso, onde as emoções reinam e a realidade se submete aos seus caprichos...Sei que te quero como te amo.

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Viver.

Tudo o que faço é sentir.
            Bate forte, quase salta do peito a vontade de explodir numa declaração tão clara e inequívoca que se espalha pelo Universo como um vento mágico… Anuncio ao mundo o sentimento de liberdade total do meu coração domado, sou apaixonado.
            Amo porque aconteceu, assim como quem jamais procurou pela felicidade, da escuridão surge o caminho, só meu, a grandiosidade não se pode limitar ao egoísmo de um amar de sentido único. Sim aos impulsos que nos fazem lançar um no outro porque vivemos o agora para o depois, somos dois na certeza de apenas um.
            Percorro o cabelo, sinto o teu sentir, passo a mão no rosto que já faz parte de mim num encaixe tão perfeito que deixa ler segredos… Passam a ser nossos os momentos de recordar felicidade, a cada beijo, sempre doce, molhado, suave realiza o sonho. Troca de olhares envergonhados, toque leve, húmido, palavras timidamente atrevidas, menos longe…perto…juntos não podemos fugir à união marcada no tempo, a história conta-se agora.

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

E depois do trabalho.

As horas passam e as rotinas continuam as mesmas, dias que dão em semanas, meses em anos…quando nos perguntam quem somos, a resposta acaba sempre onde começa o ponto do relógio, confundimo-nos com o que fazemos, afinal seremos o que fazemos?
Avalio pormenorizadamente cada segundo, consigo perceber que não me sinto definido. Não sou o que faço…
A inquietude permanece.
Para a maioria dos outros a resposta fácil serve, e eu? Terei de procurar profundamente até encontrar a forma mais radical do “eu” que ainda não encontrei.
Quem és tu?
Nasci a doze de Junho de mil novecentos e setenta e nove, a horas que desconheço, a minha mãe diz-me, como aos outros seis, que foi por volta das quinze horas, giro como resolve facilmente a questão, afinal fui o último de sete partos, com os meus um metro e oitenta e seis centímetros sou o mais alto da família, tenho cabelo preto, olhos castanhos e o nariz grande (sinal de inteligência), peso, entre varias alternâncias, mais do que devia, mas os cerca de noventa e cinco quilos não me fazem ocupar mais espaço à vista, casado e feliz, partilho a casa com uma cadela, um gato, uma gata e neste momento estou sentado no sofá com auscultadores nos ouvidos a ouvir musica e a escrever este texto, a meu lado está a minha -que é muito ela - mulher que lê um livro, os gatos e a cadela deitados ao calor da lareira. Definir-me é no fundo descrever o que me rodeia. Através dos gostam de mim olho no mais indiscreto espelho do mundo…espelho meu não me escondas e responde, afinal quem sou eu?

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Incondicional...

Fui eleito voluntário para dizer algumas palavras sobre os meus pais…mas…e quando as palavras não são suficientes?


Capturar o fervilhar de emoções que me assaltam ao pensar nos meus pais e aprisioná-los num texto imóvel, numa página em branco, não me parece algo justo, não faria sequer jus ao tamanho da minha gratidão por fazer parte desta família e por ter a honra de poder chamar mãe/pai e ter sempre aquela resposta em forma de beijo que nos aconchega num abraço que só quem ama incondicionalmente sabe dar.
Somos todos verdadeiramente apaixonados por vocês queridos Pais, com todas as dificuldades inerentes fizeram, fizeram, e voltaram a fazer ao todo sete vezes este grupo extraordinário de gente que tem tudo de vós, o Lino… o gosto pela palavra do pai e o cabelo branco da mãe, a Lena a precipitação do pai e o coração manteiga da mãe, o Paulo o bom feitio (?) não sei onde é que o foste buscar, o David artista como o pai e sonhador como a mãe, a Nice…essa é toda pai em contrapartida a Rute? Toda mãe. Sobra o mais novo que de pequeno não tenho nada, sou diplomático como a minha mãe e acredito com a força do meu pai. Juntos fazemos a magia do nosso pequeno Mundo, da nossa família que tem por centro nevrálgico os nossos heróis a minha mãe e o meu pai.
Após cinquenta anos de namoro vejo o Manuel completamente apaixonado a tentar roubar um beijinho a cada distracção da Dona Laura que finge aquele desinteresse ”também quero mas não te dou”, como casal funcionam muito bem, lá em casa não há discussões está tudo muito bem definido, ela manda e ele obedece, tudo com a maior das cumplicidades. Todo o mar de rosas tem os seus espinhos, mas nada que pudesse arranhar a felicidade deste verdadeiro hino ao casamento.
Comecei por dizer que as palavras não seriam e não foram de facto suficientes para vos homenagear, ao longo de todos este anos e mais que virão, a melhor e única forma de vos agradecer e retribuir de alguma maneira é continuar a fazer girar este nosso planeta família com todo o nosso amor.

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Nós todos...

A vida de todos acaba por ser marcada por objectivos semi-escondidos atrás de um arrastar contínuo e longo de desculpas esfarrapadas para não levantar do sofá…maldito sofá…
Hoje está a ser mais um dia na minha vida, um objectivo há muito almejado que me faz, como outros, crescer.
Cresci a pensar como seria…a felicidade que tanto queremos teria um quartinho para mim na sua bela e espaçosa mansão? Até fazia apostas tipo euro-milhões, com as coisas mais estúpidas do mundo como acertar com um jacto poderoso (outra coisa não seria de esperar) de Xixi na sanita, sem respingar uma única gotinha sequer na borda do tampo, se conseguisse coisas boas aconteceriam. Obviamente que tive fingir que não via determinadas gotas. Como se fosse apenas uma questão de tamanho, afinal qual a quantidade de liquido necessária para ser considerado uma gota? E a partir de que ponto deixa de ser gota para ser uma porcaria? Muitas vezes tive que limpar à pressa o maldito tampo, chão, parede…maldita erecção matinal.
Bem mas já chega de falar na minha vida íntima, afinal coisas bem menos animadas me trazem até esta folha hoje.
A maioria das pessoas para, olha em redor, observam a senhora idosa que acabou de tropeçar e cair no chão o que vêem? A Srª Maria raspou os joelhos que mostram umas pequenas lágrimas de sangue a descer lentamente pela perna, alguém se aproxima da mulher e lhe oferece um braço de força, para se levantar coloca a carteira no chão e usa ambas as mãos, nem um segundo depois levanta a cabeça e agradece o gesto, ao debruçar-se para tentar resgatar o saco abençoado com o subsidio social de reforma repara que ele está na mão do anjo (?) que a ajuda… homem com barba de três meses, camisa à lenhador por cima de umas calças de ganga muito remendadas, cabelo todo no ar como se viajasse com a cabeça de fora num carro em alta velocidade em plena época de tempestades tropicais, nariz perfurado por uma argola que se pendura como se os macacos pudessem sair para brincar, os olhos estão tapados por uns óculos vermelho sangue com lentes espelhadas, as tatuagens de um dragão cuspindo fogo abraçam os membros superiores como se fósforos fossem, o personagem tira o cigarro da boca cospe a pastilha gorila e oraliza.

- Cara senhora, muito boa tarde. Magoou-se? Aqui tem a sua carteira. Quer que chame alguém para a ajudar?


P.S. escusado será dizer que apesar de todos os esforços da equipa INEM no local a Sra. faleceu de ataque cardíaco.

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Sofa.

Os dedos pairam sobre as teclas como um abutre esfomeado completamente centrado na visão de um cadáver em putrefacção...mergulham a pique, caídos na tentação de mais um texto de meios significados. 
Olho à minha volta e vejo...sou eu, procuro no espelho abro a boca ao máximo e espreito bem no fundo -Quem és tu? perguntaria eu se conseguisse tirar algum som daquela boca escandalosamente aberta. A resposta vem devagar e com um som oco de um arrotar satisfeito, o almoço correu bem. Engraçada a resposta, somos o que comemos, é bem verdade, desde pequenos que nos tornamos grandes à custa do que nos vão dando de comer. Mesmo na hipocrisia do mundo moderno e nas danças com todos, andamo-nos a comer indiscriminadamente, aquela promiscuidade ida dos tempos com pelos, à força da reprodução.
O mundo gira e o povo aplaude, todos os dias, há pessoas que morrem de fome, crimes hediondos cometidos em nome de nada, roubos descarados encobertos pelos donos do dinheiro, discursos cheios de brilhantismo e demagogia, até temos um presidente do mundo negro porque castanho é a sua cor, a ganancia e o amor pelo dinheiro poder...amor...que palavra...que tamanho significado pois a palavra cheia de  letras pouco serve...Amor, por ti desvio o sentido amargo e derrotista do meu já demasiado longo devaneio....Amor, assim tão sorrateiramente apareces nas teclas do meu pensamento, processo de imediato um sorriso que me faz respirar o ar ainda puro que habita na nossa realidade...Amor, por ti espero sentado neste sofá, a minha vida neste pequeno instante tornou-se tão mais...tão melhor...Amor, assim poderíamos ser felizes, todos nós ao mesmo tempo, fosses tu o papel mágico que compra tudo o que não precisamos, mas de ti queremos e suspiramos...Amor, pois apenas e só pelo significado que tens para todos e cada um de nós, és indefinido para muitos e tens um rosto para outros quantos te amam também...Amor, és uma chuvada num dia abafado de verão, libertas aquele cheiro a terra molhada que me faz sentir uno com a natureza, que me transporta para um tempo em que o cheirinho a café acabado de fazer pela minha amada mãe me entrava pelas narinas e fazia querer continuar naquele momento o resto da minha vida...Amor és tu. Sabes quem e o que significas para mim.

quarta-feira, 2 de junho de 2010

De regresso.

Passei uns dias fora de casa, fui fazer o que muitos queriam mas poucos merecem, não há direitos adquiridos pela antiguidade, mas mérito próprio e recompensa pelo trabalho e dedicação diária...Dito isto, confesso que me senti um privilegiado, foram dias duros, directas forçadas a custo pela seca da espera do acidente que não aconteceu (ainda bem), conhecemos colegas novos, experiências novas que me fizeram crescer pessoal e profissionalmente. A organização estava muito boa, pecou apenas por meros detalhes que em nada mancharam o sucesso final da prova.


O regresso foi muito melhor que a partida, pois passar tantos dias sem a nossa família custa muito, vale a hora de matar saudades e como é bom matar saudades de quem amamos...

terça-feira, 18 de maio de 2010

Como vai o Mundo?

É uma pergunta que todos nós deveríamos fazer, já que o Mundo somos nós.
O que leva uma pessoa, qualquer pessoa a abandonar outro ser vivo? Ainda mais uma existência tão curta, exposta e dependente...sinto pena e ao mesmo tempo até solidariedade para com o desconhecido que os abandonou em tal sitio, de certa forma salva-os de um fundo escuro e molhado de um balde à moda antiga ou mesmo de um desagradável enterro que sufoca os gritos de aflição, tão pequenos e já uma dor de cabeça tão grande.
Estas três pequenas gatinhas (acho eu) encontraram o seu destino pela sorte de outro alguém com nobreza no sentir, que os agarrou com vontade de lhes dar um futuro. Enchemos-lhe agora a barriga com esforço já que a fome era tanta que as forças já iam faltando até para comer, felizmente passaram a primeira sempre mais dificil noite, agora já comem com vontade, apesar da historia lhes ser tão cruel passeiam pela casa como em reconhecimento de área, a marcar território, miam por tudo e por nada...
Estas gatinhas estão à espera de encontrar dono, se por acaso estiverem interessados em servir de família a estas criaturas adoráveis contactem-me por favor.

quinta-feira, 6 de maio de 2010

BoCeJo...

A estas horas fico sempre com uma soneira, parece que passei o dia a levar com sacos de cimento no lombo, a idade não pesa, esmaga...é verdade, é cada vez mais raro o dia em que deixo de ouvir um comentário sobre: ou são os cabelos brancos, sim, é verdade, tenho cabelos brancos desde os meus 20 anos, e depois?; a barriguita também não escapa a observações mais dolorosas, que porra pá,  um gajo não pode gostar de comer? por acaso é algo que me intriga, porque raio é que passei a minha vida toda sem ligar especialmente à comida (guloso sempre fui) e agora, que devia ter mais cuidado com a boca, tem alturas em que custa a estar satisfeito? enfim...as rugas não me estorvam, mas tenho que confessar a perda de algumas capacidades físicas, já não tenho a destreza de outrora, embora, também seja desleixo da minha parte, o exercício rejuvenesce e eu não vou para mais novo.




Paciência, tenho 30 anos bem medidos, principalmente, bem vividos, melhor que tudo isto é que espero intensamente pelos próximos 30 e que venham sem pressas mas com muitas emoções, aventuras e experiências.



sexta-feira, 30 de abril de 2010

Dez dedos...

...barulho incomodativo que se ouve ao fundo do corredor, parece que se aproxima cada vez mais, como um cavalo relinchando à medida que, a trote, chega mais perto e mais perto, apetece-me fugir, enfiar a cabeça de baixo dos lençóis e partir para uma aventura de olhos fechados, mas, infelizmente, está na hora, pois é, o despertador não se cala e a obrigação de um dia cheio de trabalho agarra-me na perna esquerda depois na direita, coloca os pés no chão, puxa os braços cansados que a muito custo arrastam o tronco tipo carcaça velha, os olhos permanecem fechados colados pela remela matinal de um dorminhoco armado em preguiçoso. Em câmara lenta, calço os chinelos (ao contrário) e caminho para o WC...HMMMMMMMMM...espectáculo, mas que bom...poucas coisas (é certo que as há e incomparávelmente mais apetecíveis)serão tão satisfatórias como um belo esvaziar de bexiga pela manhã, logo seguido por um roncar de alvorada do tubo de escape da máquina, há coisas que todos fazemos, não vale a pena negar, nem esconder-se atrás de falsos moralismos ou pregões de "Sumissimos" das regras impostas por uma sociedade Castelo de Cartas.
Depois de um merecido duche, onde afogo todas as esperanças de umas horas bem passadas a contar ovelhas (não gosto de carneiros), visto o fato especial dou um belo beijo na mulher e parto, a pé, para o apeadeiro. A Ténia de metal atrasa como sempre, mas até que se compreende, dado que a linha não permite altas velocidades...depois de entrar sento-me na ultima carruagem agarrado a um livro de bolso, este acto não se limita ao purismo de um apaixonado pela leitura,mas também à arte antiga de fintar o revisor. A viagem decorre sem sobressaltos nem conversas, pois essas são apenas alheias e filhas de anos de vizinhança de assento, chegado ao fim da linha deslizo entre cotovelos e suores channel, saio a caminho dos 800m que me separam da segunda residência...cheguei assim todos os dias.

terça-feira, 20 de abril de 2010

Trabalho...


Todos os dias acordo mais ou menos quando abro os olhos (isto nem sempre é assim tão absoluto), já acordar de olho fechado é uma tarefa destinada aqueles, alguns, que nasceram para ver o Mundo que os rodeia apenas para deixar que a vida passe, como se dentro de uma longa metragem rasca com dobragens em Português Brasileiro feitas pelo Sr Presidente Lula e pela digníssima Maitê...Porquê? pergunto eu. País de renovadas esperanças, depois de um Camões, através de um Eça e que peça, atravessando os tempos de Pessoa, que deveria ter o nome em plural pois que tal seria a capacidade deste em multiplicar-se em outros tantos, depois destes artistas génios da palavra e de aventura eis que surgem os novos heróis, exemplos de cidadão...quem diria que dar uns chutos na bola alguma vez faria alguém famoso, desde os tempos dos Politeístas que a divindade de um verdadeiro atleta não seria tão reconhecida, corpo esculpido no ginásio de luxo, construído a custo pelo emigrante escravo com curso superior que se escapa do pais onde era Doutor para cair na alegria de um dinheirinho ao fim do dia. A suor e lágrimas vemos o verde e vermelho na camisola de onze bravos guerreiros, como quem carrega o estandarte de Portugal há que honrar o Zé parvinho com murros e chapadas e outras tantas argoladas como se fossem gastar milhões em arenas cheias de moscas a rezar novenas pelo bem nacional. Este é o meu país, um que nunca quis, ganhei-o sem saber numa lotaria roubada onde o valor da cautela era muito menor que o prémio daquele que é mais que muitos Sr Gestor, politico de portugal.

domingo, 18 de abril de 2010

Em Casa...


Cá estamos...

Em casa, sozinho, ouço apenas os pequenos pássaros a cantar, esse som vindo doutras historias faz-me viajar... como por uma porta mágica recuo à minha inocência, que de um certo modo não deixou de existir, apenas está adormecida num recanto qualquer dentro de quem sou. É verdade ela aparece, fico muitas vezes estupidamente surpreendido, como se já não soubesse quem sou, com as sensações provocadas por aquele momento menos calculado, apenas possível pela distracção de um sonhador incauto.
Está na hora de acordar, ecoa o trovão como se me desse um choque poderoso...
Noutras alturas, a minha vida era feita de sonhos, passava a vida a viajar, a navegar pelos oceanos da mente, e como mentem os nossos sonhos...vale a pena acreditar. Nem que seja por um mero instante conseguimos sentir a felicidade, como se ela respirasse por nós, temos o mundo dentro da nossa mão, fechamos o punho como quem guarda um segredo precioso, escapam um pequenos raios de luz azul que deixam antever algo de extraordinariamente mágico, fechamos com mais força, apertamos bem, contrariados e sem capacidade para segurar toda aquela magia deixamos por fim sair entre dedos a realidade...a luz "acizentara-se", as nuvens pesadamente escuras impedem a entrada do sol, as pessoas andam de olhar caído, como se procurassem a dignidade, as cores partiram, já não há arco-íris, o verde secou tornou-se num castanho mórbido, o mar recolheu os seu imensos braços e parou as ondulações do seus bonitos cabelos...

sexta-feira, 16 de abril de 2010


Olá!

Caros amigos, este projecto nasce de uma necessidade de trabalhar a minha mente...sinceramente, sinto um estranho entorpecer dos pensamentos, uma espécie de embrutecer gradual de quem sou...ou, era.
Caminho diariamente entre páginas de um livro que, outrora julgara sem sequer olhar ao génio de quem escreveu as palavras cegas daquele ensaio que, no fundo, acaba por ser só dele, e é verdade que todos os que foram grandes são muito maiores, pois o que fica por mostrar é uma imensidão encoberta pela ponta do iceberg que todos vemos e queremos tocar para nos sentirmos, de alguma forma, mais perto da tão ambicionada genialidade.