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domingo, 26 de dezembro de 2010

Palhaçada

Sentado em frente ao computador penso num personagem... não me preocupa o vestuário, pois a indumentária já está definida há algum tempo, mas o preenchimento que irei dar a tal figura, a melhor forma de conjugar o fato com a mensagem que pretendo transmitir… O palhaço poderá ter muitas vertentes, a dificuldade está na forma que melhor servirá o meu objectivo. Jamais cederia à tentação de fazer algo corriqueiro, a palhaçada só tem piada quando descontextualizada, situações naturalmente hilariantes não me seduzem.A dicotomia fantasia/realidade ou palhaço/homem parece mais interessante do ponto de vista menos explorado, vou vestir a personagem por inteiro e transformar o Filipe no palhaço ou vice-versa.Começo por vestir umas calças enormes e uma cabeleira extremamente colorida, à falta de sapatos e nariz próprios do imitado, fico com os que recebi naturalmente e que são já de si bastante generosos (calço o 43 e o nariz condiz com a personalidade).Sou palhaço. És um palhaço. Somos palhaços.Ao longo desta minha, ainda curta, caminhada senti a existência de várias dimensões que escapam ao comum dos mortais. Facilmente acessível, porque todos temos a capacidade de reflectir sobre o que observamos e sentimos, passa ao lado dos que se deixam corromper pela responsabilidade, mais grave, pelo comodismo.O palhaço insere-se nesta trama enquanto mascara, mais uma das imensas que usamos no nosso universo de relações. O nosso verdadeiro existir, a essência do ‘eu’ que receamos e que desconhecemos, fica camuflada no platonismo dos nossos objectivos, somos apenas humanos… Os sonhos são esmagados pela rotina do transito matinal, deixamos de acreditar em fadas e o João-pestana hiberna na indiferença. Quem não se recorda da felicidade enquanto criança.Sorrimos, sorris, sorrio. 

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