Páginas

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Incondicional...

Fui eleito voluntário para dizer algumas palavras sobre os meus pais…mas…e quando as palavras não são suficientes?


Capturar o fervilhar de emoções que me assaltam ao pensar nos meus pais e aprisioná-los num texto imóvel, numa página em branco, não me parece algo justo, não faria sequer jus ao tamanho da minha gratidão por fazer parte desta família e por ter a honra de poder chamar mãe/pai e ter sempre aquela resposta em forma de beijo que nos aconchega num abraço que só quem ama incondicionalmente sabe dar.
Somos todos verdadeiramente apaixonados por vocês queridos Pais, com todas as dificuldades inerentes fizeram, fizeram, e voltaram a fazer ao todo sete vezes este grupo extraordinário de gente que tem tudo de vós, o Lino… o gosto pela palavra do pai e o cabelo branco da mãe, a Lena a precipitação do pai e o coração manteiga da mãe, o Paulo o bom feitio (?) não sei onde é que o foste buscar, o David artista como o pai e sonhador como a mãe, a Nice…essa é toda pai em contrapartida a Rute? Toda mãe. Sobra o mais novo que de pequeno não tenho nada, sou diplomático como a minha mãe e acredito com a força do meu pai. Juntos fazemos a magia do nosso pequeno Mundo, da nossa família que tem por centro nevrálgico os nossos heróis a minha mãe e o meu pai.
Após cinquenta anos de namoro vejo o Manuel completamente apaixonado a tentar roubar um beijinho a cada distracção da Dona Laura que finge aquele desinteresse ”também quero mas não te dou”, como casal funcionam muito bem, lá em casa não há discussões está tudo muito bem definido, ela manda e ele obedece, tudo com a maior das cumplicidades. Todo o mar de rosas tem os seus espinhos, mas nada que pudesse arranhar a felicidade deste verdadeiro hino ao casamento.
Comecei por dizer que as palavras não seriam e não foram de facto suficientes para vos homenagear, ao longo de todos este anos e mais que virão, a melhor e única forma de vos agradecer e retribuir de alguma maneira é continuar a fazer girar este nosso planeta família com todo o nosso amor.

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Nós todos...

A vida de todos acaba por ser marcada por objectivos semi-escondidos atrás de um arrastar contínuo e longo de desculpas esfarrapadas para não levantar do sofá…maldito sofá…
Hoje está a ser mais um dia na minha vida, um objectivo há muito almejado que me faz, como outros, crescer.
Cresci a pensar como seria…a felicidade que tanto queremos teria um quartinho para mim na sua bela e espaçosa mansão? Até fazia apostas tipo euro-milhões, com as coisas mais estúpidas do mundo como acertar com um jacto poderoso (outra coisa não seria de esperar) de Xixi na sanita, sem respingar uma única gotinha sequer na borda do tampo, se conseguisse coisas boas aconteceriam. Obviamente que tive fingir que não via determinadas gotas. Como se fosse apenas uma questão de tamanho, afinal qual a quantidade de liquido necessária para ser considerado uma gota? E a partir de que ponto deixa de ser gota para ser uma porcaria? Muitas vezes tive que limpar à pressa o maldito tampo, chão, parede…maldita erecção matinal.
Bem mas já chega de falar na minha vida íntima, afinal coisas bem menos animadas me trazem até esta folha hoje.
A maioria das pessoas para, olha em redor, observam a senhora idosa que acabou de tropeçar e cair no chão o que vêem? A Srª Maria raspou os joelhos que mostram umas pequenas lágrimas de sangue a descer lentamente pela perna, alguém se aproxima da mulher e lhe oferece um braço de força, para se levantar coloca a carteira no chão e usa ambas as mãos, nem um segundo depois levanta a cabeça e agradece o gesto, ao debruçar-se para tentar resgatar o saco abençoado com o subsidio social de reforma repara que ele está na mão do anjo (?) que a ajuda… homem com barba de três meses, camisa à lenhador por cima de umas calças de ganga muito remendadas, cabelo todo no ar como se viajasse com a cabeça de fora num carro em alta velocidade em plena época de tempestades tropicais, nariz perfurado por uma argola que se pendura como se os macacos pudessem sair para brincar, os olhos estão tapados por uns óculos vermelho sangue com lentes espelhadas, as tatuagens de um dragão cuspindo fogo abraçam os membros superiores como se fósforos fossem, o personagem tira o cigarro da boca cospe a pastilha gorila e oraliza.

- Cara senhora, muito boa tarde. Magoou-se? Aqui tem a sua carteira. Quer que chame alguém para a ajudar?


P.S. escusado será dizer que apesar de todos os esforços da equipa INEM no local a Sra. faleceu de ataque cardíaco.